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Nitrato demais freia o esqueleto
O nitrato é o fim da cadeia da nitrificação: a amônia vira nitrito, e o nitrito vira nitrato, que se acumula. Em excesso, ele aumenta as zooxantelas dentro do coral e reduz a formação de esqueleto: num estudo de laboratório com nitrato de até 20 µM (cerca de 1,2 ppm), a formação de esqueleto caiu cerca de 50% [1]. Em outro, nitrato em torno de 1,2 ppm já reduziu o crescimento de um coral Porites em laboratório [2]. As faixas do app vêm da prática de aquário, onde luz, alimentação e fosfato também contam.
Nitrato com fosfato zerado: o risco escondido
Corais com muito nitrogênio e pouco fosfato ficaram mais suscetíveis a branquear sob calor e luz, porque as algas simbiontes passam a faltar fósforo [3]. Num experimento, corais branquearam com nitrato de cerca de 2,4 ppm e fosfato de 0,017 ppm, e ficaram saudáveis com nitrato de cerca de 0,4 ppm e fosfato de 0,028 ppm [4]. O dano dos nutrientes vem sobretudo do desequilíbrio entre eles [5].
Faixa sugerida
| Tipo de aquário | Faixa sugerida | Exemplos |
|---|---|---|
| Só peixes (FOWLR) | até 30 ppm | peixes e rocha viva, sem corais |
| Corais moles e LPS | 2 a 25 ppm | zoanthus, euphyllia, acanthastrea |
| Corais SPS | 1 a 10 ppm | acropora, montipora, seriatopora |
De onde vem esta faixa
A base. Não existe um estudo que defina o nitrato ideal de um aquário. A faixa é uma escolha da Atol a partir da prática de aquário. Os estudos ajudam a entender por que não ir aos extremos.
Por que tem teto. Em laboratório, nitrato de até cerca de 1,2 ppm reduziu a formação de esqueleto em cerca de 50% [1] e freou o crescimento de um Porites [2]. Esses valores são mais baixos que o teto do app: no aquário, luz, alimentação e fosfato também pesam, e a faixa é um compromisso de prática.
Por que tem piso. Com nitrogênio alto e fósforo baixo, ou com tudo zerado, o equilíbrio entre os nutrientes se perde e os corais ficam mais suscetíveis a branquear [3], [5].
Por que muda com o tipo de aquário.
- Só peixes (até 30 ppm): o limite vem mais das algas e da qualidade geral da água do que dos corais, que não estão lá.
- LPS e moles (2 a 25 ppm): corais moles e LPS costumam aceitar mais nutriente.
- SPS (1 a 10 ppm): o teto mais baixo é uma escolha de prática, na direção dos estudos sobre calcificação, que viram efeito já perto de 1,2 ppm; o piso de 1 ppm evita zerar.
Como baixar o nitrato
- Reduza a entrada: menos alimento, sem sobras, animais mortos retirados.
- Aumente a exportação aos poucos: trocas de água regulares, skimmer bem regulado, refúgio com macroalgas.
- Meça nitrato e fosfato juntos e acompanhe a tendência, não uma leitura só.
Perguntas frequentes
Nitrato zero é bom para corais?
Não necessariamente. Corais precisam de algum nitrogênio, e nitrato zerado costuma vir junto de corais pálidos. Mire na faixa do seu tipo de aquário.
Meu nitrato está alto e o fosfato está zerado. O que faço?
Esse é o desequilíbrio mais arriscado para os corais. Não baixe mais o fosfato; reduza o nitrato devagar e meça os dois juntos.
Quanto nitrato um aquário só de peixes aguenta?
A Atol usa até 30 ppm como limite para aquário só com peixes. Acima disso, aumente as trocas de água e reduza a alimentação.
Fontes
- Marubini, Davies (1996). Nitrate increases zooxanthellae population density and reduces skeletogenesis in corals. Marine Biology 127:319–328. doi:10.1007/BF00942117evidência moderada
- Marubini, Thake (1999). Bicarbonate addition promotes coral growth. Limnology and Oceanography 44:716–720. doi:10.4319/lo.1999.44.3.0716evidência moderada
- Wiedenmann et al. (2013). Nutrient enrichment can increase the susceptibility of reef corals to bleaching. Nature Climate Change 3:160–164. doi:10.1038/nclimate1661evidência moderada
- Rosset S, Wiedenmann J, Reed AJ, D'Angelo C (2017). Phosphate deficiency promotes coral bleaching and is reflected by the ultrastructure of symbiotic dinoflagellates. Marine Pollution Bulletin 118:180–187. doi:10.1016/j.marpolbul.2017.02.044evidência moderada
- D'Angelo, Wiedenmann (2014). Impacts of nutrient enrichment on coral reefs: new perspectives and implications for coastal management and reef survival. Current Opinion in Environmental Sustainability 7:82–93. doi:10.1016/j.cosust.2013.11.029evidência forte