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Para que serve o cálcio
Corais duros e algas coralinas usam o cálcio da água, junto com a alcalinidade (KH), para montar o esqueleto de carbonato de cálcio. Quando o cálcio fica muito baixo, a calcificação despenca: com cerca de 114 ppm, um coral Stylophora calcificou de 2 a 2,4 vezes menos que com cálcio normal [1].
Num ensaio curto com o coral Galaxea, subir o cálcio em cerca de 100 ppm aumentou de 30% a 61% a incorporação de cálcio no esqueleto [2]. Isso mostra que o cálcio disponível conta, mas não autoriza manter o cálcio acima da faixa: o mesmo estudo não demonstra ganho sustentado no aquário.
Faixa sugerida
| Tipo de aquário | Faixa sugerida | Exemplos |
|---|---|---|
| Só peixes (FOWLR) | sem meta (sem corais) | peixes e rocha viva, sem corais |
| Corais moles e LPS | 380 a 450 ppm | zoanthus, euphyllia, acanthastrea |
| Corais SPS | 400 a 450 ppm | acropora, montipora, seriatopora |
De onde vem esta faixa
A base. A faixa de 380 a 450 ppm é a referência de prática de aquário de Holmes-Farley [3].
Por que esse intervalo. Cálcio muito baixo derruba a calcificação: com cerca de 114 ppm, um coral calcificou de 2 a 2,4 vezes menos [1]. Mais cálcio ajudou num ensaio curto [2], mas não há demonstração de ganho sustentado acima da faixa, e cálcio alto junto com KH alto aumenta a precipitação.
Por que muda com o tipo de aquário.
- Só peixes (sem meta): sem corais calcificando, o cálcio quase não é consumido, e a Atol não alerta.
- LPS e moles (380 a 450 ppm): a faixa de referência inteira.
- SPS (400 a 450 ppm): o piso sobe para dar folga, porque o consumo é alto e o cálcio cai rápido entre uma medição e outra. É uma escolha de manejo.
Por que o cálcio cai
O cálcio é consumido junto com o KH, numa proporção conhecida: cerca de 20 ppm de cálcio para cada 1 meq/L (2,8 dKH) de alcalinidade [3]. Se você repõe o KH e o cálcio continua caindo muito mais rápido que o esperado, ou o contrário, confira:
- O teste: kits de cálcio têm margem de erro grande. Repita antes de corrigir.
- A dosagem: a reposição de KH e de cálcio precisa seguir a mesma proporção.
- O magnésio: com o magnésio baixo, o carbonato precipita com mais facilidade e leva cálcio e KH junto [4].
Como corrigir com segurança
- Confirme a leitura com uma segunda medição.
- Suba no máximo 20 ppm por dia. A Atol trata variação acima de 50 ppm em 24 horas como risco.
- Confira o magnésio antes de insistir numa correção que não se sustenta.
- Mantenha a reposição diária na proporção do consumo, junto com o KH.
Perguntas frequentes
Cálcio de 350 ppm é um problema?
Está abaixo da faixa para corais. Corrija aos poucos, até 20 ppm por dia, e confira se o KH e o magnésio estão na faixa.
Manter o cálcio em 500 ppm faz os corais crescerem mais?
Não há evidência de ganho sustentado acima da faixa, e cálcio alto com KH alto aumenta a precipitação. Fique entre 400 a 450 ppm com SPS.
Por que o cálcio não sobe mesmo dosando?
As causas mais comuns são teste impreciso, dose menor que o consumo ou magnésio baixo, que facilita a precipitação de carbonato.
Fontes
- Gattuso et al. (2000). Calcification does not stimulate photosynthesis in the zooxanthellate scleractinian coral Stylophora pistillata. Limnology and Oceanography 45:246–250. doi:10.4319/lo.2000.45.1.0246evidência moderada
- Marshall, Clode (2002). Effect of increased calcium concentration in sea water on calcification and photosynthesis in the scleractinian coral Galaxea fascicularis. Journal of Experimental Biology 205:2107–2113. doi:10.1242/jeb.205.14.2107evidência moderada
- Holmes-Farley (2007). The "How To" Guide to Reef Aquarium Chemistry for Beginners, Part 2: What Chemicals Must be Supplemented (Reefkeeping Magazine, abr/2007). Reefkeeping Magazine, abril de 2007. web.archive.orgreferência prática
- Berner (1975). The role of magnesium in the crystal growth of calcite and aragonite from sea water. Geochimica et Cosmochimica Acta 39:489–504. doi:10.1016/0016-7037(75)90102-7evidência moderada