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Guia · animais novos

Aclimatação e quarentena no aquário marinho

Peixe novo passa primeiro por quarentena num aquário separado: a referência de extensão da Universidade da Flórida é de 30 a 90 dias [1]. Remédio com cobre só na quarentena, nunca no aquário com corais e invertebrados. Coral novo se acostuma à luz aos poucos.

  • Equipe Atol IA
  • Revisado em 21 de outubro de 2026
  • 11 fontes
  • 4 min de leitura
Nesta página
  1. Por que fazer quarentena
  2. Como montar a quarentena
  3. Cobre: só na quarentena
  4. Aclimatação na chegada
  5. Corais: aclimatação à luz
  6. Perguntas frequentes
  7. Fontes

Por que fazer quarentena

As duas doenças que mais matam peixes marinhos em aquário chegam com peixes novos:

  • Ictio marinho (Cryptocaryon irritans), a doença dos pontos brancos. O parasita fica de 3 a 7 dias no peixe e depois forma cistos no fundo que liberam novas formas infectantes, a maioria entre 4 e 8 dias [1], [2].
  • Velvet (Amyloodinium ocellatum), que pode completar o ciclo em 3 a 6 dias. Por avançar tão rápido, 30 dias de quarentena podem não bastar [3].

Num aquário público, um único surto de ictio na quarentena matou 457 peixes de 16 espécies [4]. No aquário principal, sem quarentena, o problema atinge todos os peixes de uma vez.

Como montar a quarentena

  1. Aquário separado, com filtro já ciclado e aquecedor. Amônia indetectável: peixe recém-chegado tolera menos amônia [5].
  2. Sem rocha calcária nem areia de aragonita se houver chance de usar cobre: carbonatos sequestram o cobre e uma queda de pH pode liberá-lo de volta [6].
  3. Observação diária: apetite, respiração, pontos ou poeira na pele, nadadeiras.
  4. Só depois do período de quarentena, sem sinais de doença, o peixe vai ao aquário principal.

Cobre: só na quarentena

Cobre nunca vai ao aquário com corais e invertebrados. Corais Acropora e Pocillopora sofreram efeitos com cerca de 40 vezes menos cobre que o usado no tratamento de peixes [7].

O cobre exige controle: a concentração sobe aos poucos e precisa ser medida pelo menos duas vezes ao dia [6]. A dose depende do produto: siga a bula, e a Atol não informa dose de remédio. Se o ictio aparecer no aquário principal, o caminho é tirar os peixes para tratar e deixar o aquário sem peixes (fallow) por 3 a 6 semanas, podendo chegar a 7 a 11 [1]. A hiposalinidade falha contra cepas tolerantes do parasita [1].

Aclimatação na chegada

  • Iguale temperatura e salinidade aos poucos, mas sem prolongar. Se o peixe viajou muitas horas, a água do saco acumula amônia, e ela fica mais tóxica à medida que o pH sobe com a água do aquário [8].
  • Não despeje a água do saco no aquário: ela pode trazer parasitas e amônia.
  • Apague ou reduza a luz no primeiro dia para diminuir o estresse.

Corais: aclimatação à luz

Corais se aclimatam a faixas de luz muito diferentes, desde que tenham tempo [9]. Corais de ambientes com pouca luz têm tecido mais fino e ajustam a fotossíntese à luz disponível; no estudo, eles se aclimataram quando a luz aumentou [10]. Já um aumento curto de luz, inclusive ultravioleta, pode branquear mesmo sem calor [11]. Comece com o coral numa posição mais baixa ou com a luz reduzida e suba aos poucos ao longo de dias.

Perguntas frequentes

Quanto tempo de quarentena para peixe novo?

A referência de extensão da Universidade da Flórida é de 30 a 90 dias. Contra o velvet, 30 dias podem não bastar.

Hiposalinidade cura ictio?

Nem sempre. Ela falha contra cepas tolerantes do parasita. E nunca deve ser feita no aquário com corais, que branqueiam com salinidade baixa.

Posso usar cobre no aquário principal se ele tiver só peixes?

Não é recomendado. A rocha e a areia calcárias sequestram o cobre e podem liberá-lo depois, e a concentração fica impossível de controlar.

Fontes

  1. Yanong (2009). Cryptocaryon irritans infections (marine white spot disease) in fish. UF/IFAS EDIS FA164 (revisado em nov/2012). doi:10.32473/edis-fa164-2009referência prática
  2. Colorni, Burgess (1997). Cryptocaryon irritans Brown 1951, the cause of 'white spot disease' in marine fish: an update. Aquarium Science and Conservation 1:217–238. doi:10.1023/A:1018360323287evidência forte
  3. Francis-Floyd, Floyd (2011). Amyloodinium ocellatum, an important parasite of cultured marine fish. SRAC Publication 4705. referência prática
  4. Denk et al. (2025). An Outbreak of Cryptocaryon irritans in Aquarium Quarantine — New Variations of an Old Theme. Journal of Fish Diseases. doi:10.1111/jfd.14084referência prática
  5. Randall, Tsui (2002). Ammonia toxicity in fish. Marine Pollution Bulletin 45:17–23. doi:10.1016/S0025-326X(02)00227-8evidência forte
  6. Yanong (2010). Use of Copper in Marine Aquaculture and Aquarium Systems. UF/IFAS EDIS FA165 (revisado em fev/2024). doi:10.32473/edis-fa165-2009referência prática
  7. Bielmyer et al. (2010). Differential effects of copper on three species of scleractinian corals and their algal symbionts (Symbiodinium spp.). Aquatic Toxicology 97:125–133. doi:10.1016/j.aquatox.2009.12.021evidência moderada
  8. Bower, Bidwell (1978). Ionization of ammonia in seawater: effects of temperature, pH, and salinity. Journal of the Fisheries Research Board of Canada 35:1012–1016. doi:10.1139/f78-165evidência forte
  9. Falkowski, Dubinsky (1981). Light-shade adaptation of Stylophora pistillata, a hermatypic coral from the Gulf of Eilat. Nature 289:172–174. doi:10.1038/289172a0evidência moderada
  10. Anthony, Hoegh-Guldberg (2003). Variation in coral photosynthesis, respiration and growth characteristics in contrasting light microhabitats: an analogue to plants in forest gaps and understoreys?. Functional Ecology 17:246–259. doi:10.1046/j.1365-2435.2003.00731.xevidência moderada
  11. Gleason, Wellington (1993). Ultraviolet radiation and coral bleaching. Nature 365:836–838. doi:10.1038/365836a0evidência moderada
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